Ficção

Onde o Mar Encontra o Silêncio

Onde o Mar Encontra o Silêncio

O farol não piscava há três noites, mas ninguém na vila parecia notar. Para Mateus, porém, cada ausência de luz era um sinal — como se o horizonte estivesse pedindo descanso.

Ele subiu a escada de pedra ao amanhecer, com o sal grudado na pele e o café frio na mão. O vento trazia um cheiro de algas e de memórias antigas, daquelas que não pertencem a uma pessoa só.

No topo, encontrou a lâmpada intacta. O problema estava no silêncio: um silêncio tão denso que abafava até o ruído das ondas. Mateus ficou parado, escutando o que normalmente se deixa passar.

Foi então que viu a carta, presa entre duas pedras, amarelada pelo tempo. Não tinha remetente. Dizia apenas: «Volte quando o mar parar de falar.»

Mateus sorriu. O mar nunca para. Mas, naquele dia, por um instante, pareceu escutar.

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